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2. Origem da Arte

Publicado por carolcat em junho 18, 2009

Autor: “Sifu” Andreas Geller
Nos últimos tempos, apareceram várias pessoas que afirmavam conhecer a verdadeira história do Wyng Tjun (Weng Chun). Hoje, é muito difícil identificar qual a versão verdadeira, porque antigamente as histórias eram transmitidas boca-a-boca e os registros não eram muito precisos ou seguros.

Existem muitas histórias e em breve a ISMA divulgará sua própria opinião.

Uma das versões da origem do Wyng Tjun (Wyng Tjun Kuen):
Autor: “Grão-Mestre” Leung Ting
Diz a lenda que há aproximadamente 250 – 300 anos atrás, havia uma monja budista chamada Ng Mui. Discípula do templo Shaolin e também perita no sistema “Weng Chun Bak Hok Pai” conhecido por estilo Weng Chun da Garça Branca da província de Fujian. Devido a problemas políticos, Ng Mui, junto com outros membros de Shaolin, foram declarados fora da lei pelo governo Qing. Ng Mui, que era uma talentosa entusiasta das artes marciais, procurava constantemente aperfeiçoar o que já dominava, e neste período ela já era uma das melhores do seu tempo. 

Ao chegar a essa região deparou-se com algumas técnicas inovadoras. Assim, ela reformulou o que ela já sabia, criando um novo sistema. Tempos depois, Ng Mui passou todo o seu conhecimento para uma jovem chamada Yim Wyng Tjun, uma excelente estudante.

Yim Wyng Tjun veio a se casar com Leung Bok Chau, um comerciante de sal de Guangdong. Yim ensinou ao seu marido Leung, e dali em diante eles se dedicaram a refinar ainda mais a arte. Leung, mais tarde, ensinou a Leung Lan Kwai, médico herbário e osteopata. Até esta época, o estilo recentemente criado não tinha um nome. Assim quando Leung Bok Chau passou as habilidades para Leung Lan Kwai, ele decidiu chamar o sistema de “Wyng Tjun Kuen”, em homenagem a sua amada esposa.

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Livro:”Wing Chun Kung Fu, o mais simples e eficiente de tods os estilo de Kung Fu”, Marco Natali, editora Tecnoprint, 1985, págins 18 a 26.

árvore genealógica WT

TEMPLO SHAOLIN – BODHIDHARMA

A origem do estilo Wing Chun, um dos inúmeros estilos de Kung Fu, está ligada ao Templo Shaolin.

À primeira vez em que o Kung Fu foi mencionado historicamente foi no ano de 2674 antes de Cristo. Os historiadores descreveram a história da revolução na china, onde alguns nobres resolveram juntar seus exércitos e derrubar o Imperador, dividindo a china toda entre eles. A grande vitória do Imperador foi atribuída a um exército especialmente treinado em uma arte marcial que imitava os gestos dos animais das florestas chinesas.

A técnica especialista que caracterizava esse exército era, então, denominada Wushu (Kung Fu aqui no Ocidente) e englobava toda uma metodização na prática da arte guerreira (ou marcial).

O fato dos primeiros registros do Kung Fu terem sido em 2674 antes de Cristo comprova sua existência muito antes dessa época, pois as artes, quaisquer que elas sejam, não são anotadas historicamente na mesma ocasião em que são criadas. Mas, sim, muito tempo após, quando os efeitos delas decorrentes o justificar.

É incontável o número de estilos de Kung Fu (Wushu) existentes na China. A origem dos nomes desses estilos estão atadas a lugares e pessoas; alguns são atribuídos a partir de uma determinada técnica, de algum herói lendário ou mesmo de animais, objetos ou seitas religiosas.

ÁRVORE GENALÓGICA

A linha sucessória, também denominada genealogia, é o mais importante registro a que tem acesso o representante de um determinado estilo. A origem do estilo Wing Chun está ligada ao Templo Shaolin, o mais importante templo budista da China setentrional, pelo início do sexto século de nossa era.

Apesar do budismo ter chegado à China, provavelmente na Dinastia Han (25-220 d.C.), foi apenas sob a influência de Bodhidharma, por volta de 525 d.C., que a arte marcial passou a ser ensinada juntamente com a doutrina. Bodhidharma era filho do rei Sughanda, um dos inúmeros pequenos monarcas (Rajá) indianos e, como tal, fazia parte da casta dos guerreiros (Kshastriya) e recebeu primorosa educação militar. Fazia parte do currículo militar dessa época, na Índia, a prática do Vajramushi, uma arte marcial de origem remotíssima. Instituído, inicialmente, no Templo Shaolin como recurso de recuperação física às longas horas de meditação, com o tempo, Vajramushti recuperou seu papel como prática ascética e tornou-se um sistema auxiliar de meditação no sentido de lançar uma nova luz nos preceitos que pregavam a unidade da mente com o corpo. A notória dificuldade que os chineses tinham para a pronúncia do sânscrito fez com o passar do tempo desaparecer o nome Vajramushti e essa arte passou a ser conhecida segundo alguns autores pelos nomes: Lo-Han, Nalo-Jan, Arohan e I-Jinsin.

Por volta do século XVI, os exercícios fundamentais de Bodhidharma foram ampliados por Kwok Yen que incorporou a eles alguns movimentos formais de escolas de Kung Fu originárias de outras regiões da China. Isso deu origem a um novo estilo que passou a ser conhecido, anos mais tarde, como o estilo de Shaolin.

DESTRUIÇÃO DE SHAOLIN – NG’MUI

Com a destruição do Templo Shaolin (1733 d. C.) pela invasão dos manchus; apenas cinco dos grandes mestres e quinze discípulos conseguirem fugir.

Dentre os mestres, Ng’Mui foi a única monja que conseguiu escapar e, conforme dizem as tradições, era a mais jovem entre os mestres sobreviventes, embora fosse considerada da mais alta hierarquia do templo; quer por seu conhecimento da doutrina, quer por possuir seus sentidos superdesenvolvidos. Quando fugiu do templo, Ng’Mui viajou pela China durante algum tempo e, depois, decidida a continuar na vida religiosa, ingressou no templo da garça branca na montanha de Tai Leung, na fronteira entre as províncias de Szechwan e Yunnan.

YIM WING CHUN

Dentre os discípulos que conseguiram sobreviver à destruição do templo Shaolin, segundo se conta, Yim Yee foi um deles. Tendo aprendido algumas técnicas marciais, meteu-se em encrencas na tentativa de fazer prevalecer seus pontos de vista em algumas questões que envolviam a justiça local. Isso causou-lhe problemas que o forçaram a fugir da região, indo parar no sopé da montanha Tai Leung, onde dedicou-se ao comércio de vagens.

Yim Yee tinha uma filha chamada Yim Wing Chun, que conforme os costumes chineses da época, tinha sido prometida em casamento, ainda quando era menina.

Na região para onde ele e a filha fugiram, havia um marginal chamado Wong que era famoso tanto por sua habilidade em lutar quanto por seu mau procedimento. Atraído pela beleza de Yim Wing Chun, Wong mandou-lhe um ultimato dizendo que ou ela se casava com ele ou ele a tomaria à força em uma determinada data. O pai da moça já estava velho e não tinha mais condições físicas de enfrentar o valentão. Todos os dias, ele e a filha preocupavam-se com a data que se aproximava sem saber o que fazer.

Enquanto isso, Ng’Mui, que estava hospedada no templo da garça branca, costumava descer à vila, no sopé da montanha, diversas vezes por mês, para comprar pequenas coisas que atendessem as suas necessidades diárias. Certo dia, comprando vagens de Yim Yee, ela percebeu uma certa apreensão nos olhos do velho e, interrogando-o, ficou sabendo o que se passava.

Despertando seu senso de justiça, Ng’Mui se propôs a ajudar Yim Wing Chun. Mas, ao invés de expulsar o valentão da região, o que faria com que fosse reconhecida e lhe traria problemas com os manchus, preferiu ensinar sua arte à filha de Yim Yee.

Yim Wing Chun estudou três anos sob a tutela de Ng’Mui e, como conseqüência, Yim Wing Chun conseguiu derrotar o valentão e expulsá-lo da região.

LEUNG BOK CHAU – DENOMINAÇÃO DA ARTE

Mais tarde, Yim Wing Chun casou-se com o noivo que lhe tinha sido reservado quando criaça, seu nome era Leung Bok Chau.

Depois do casamento, ela o via praticar seus exercícios de Kung Fu e fazia-lhe sugestões a respeito de certas técnicas, discutindo com ele teoria das artes marciais. A princípio, ele prestou pouca atenção, pois se considerava um lutador razoável e não via como uma mulher frágil como sua esposa poderia saber alguma coisa que ele já não soubesse. Mas o tempo foi passando e ele começou a notar certas pertinências nas observações dela e incentivou-a a lutar. Foi repelido com certa facilidade, embora estivesse usando sua melhor técnica. Surpreso com esse resultado, repetiu a experiência diversas vezes e todas as lutas acabavam da mesma forma.

Foi, então, que Leung Bok Chau percebeu que sua esposa não era tão frágil quanto as outras mulheres; pelo contrário, era uma poderosa lutadora com grande habilidade numa arte marcial estranha e até feia, mas de extrema eficiência em luta. Daí em diante passou a admirar a técnica dela e, sempre que podia, praticava. Denominou esta arte de “Wing Chun Chuan”  (arte dos punhos de Wing Chun – “Linda Primavera”) em homenagem a ela.

DE LENG BOK CHAU ATÉ YIP MAN

Anos depois de Leung Bok Chau ter aprendido a arte de sua esposa, ele a transmitiu a Leung Lan Kwai, que a preservou secretamente até se tornar idoso. Para que a arte não perecesse com ele, ensinou a um rapaz chamado Wong Wah Bo, um ator de ópera chinesa, de caráter íntegro e admirável senso de justiça. Esses atores normalmente tinham noções de artes marciais, pois interpretavam, muitas vezes, papéis que representavam heróis militares lendários do passado. As equipes de ópera viajavam em juncos vermelhos por toda a China.

Num junco em que foi trabalhar, Wong Wah Bo conheceu Leung Yee Tei, discípluo de Cheen Sin,um dos cinco monges que fugiram do Templo Shaolin que, dentre as técnicas que dominava, estava incluída a do bastão longo. Tornaram-se amigos e um ensinou ao outro sua técnica.

Já em idade avançada, Leung Yee Tei transimitiu a arte do Wing Chun Chuan para Leung Jan, médico famoso. Sua habilidade no domínio das técnicas do Wing Chun lhe valeram o apelido de “O rei do Kung Fu de Wing Chun”. Ele adotou alguns discípulos, entre eles, seus dois filhos: Leung Tsun e Leung Bik.

Próximo à farmácia de Leung Jan, havia um posto de troca de dinheiro que pertencia a Chan Wah Shun, conhecido por “Wah- o trocador de dinheiro”; cujo sonho era tornar-se um hábil lutador de Kung Fu. Todos os dias, Wah corria à cerca de madeira da farmácia do vizinho e espiava Leung Jan ensinar Wing Chun. Reunindo toda a sua coragem e determinação, Wah apresentou-se diante do mestre e solicitou formalmente sua admissão; que foi recusada. Mas não desistiu. Nas inúmeras vezes em que observava os treinos, Wah tinha visto entre os alunos um homem de grande porte físico que era seu xará e que possuía braços tão fortes que algumas vezes tinha quebrado os braços do tronco de madeira (moodjong), quer era utilizado para os treinamentos avançados do estilo Wing Chun. O fato de possuir os braços tão fortes trouxe a ele o apelido de “Wah – o homem de madeira”.

Wah, “o trocador de dinheiro”, usou de todos os recursos que dispunha para tornar-se amigo de Wah, “o homem de madeira” e, com ele, aprendeu inúmeras técnicas de Wing Chun.

Certa ocasião em que o mestre Leung Jan estava viajando, Wah “o homem de madeira” resolveu levar seu amigo para assistir o treino na farmácia. Nessa oportunidade, estava Leung Tsun (filho de Leung Jan) e Wah contou-lhe que “o trocador de dinheiro” possuía grandes habilidades apenas observando os treinos pela cerca. Leung Tsun resolveu testar “o trocador de dinheiro” e travou com ele uma luta real. “O trocador de dinheiro” estava acostumado a treinar com “o homem de madeira”, um parceiro muito forte.Percebeu que Leung Tsun não era hábil para enfrentá-lo e deu-lhe um golpe tão forte que arremessou-o sobre a cadeira favorita do pai, quebrando-a. todos apressaram-se a consertá-la o melhor que podiam. Naquela noite, retornando de sua viagem, Leung Jan foi descansar em sua cadeira e esta tombou para o lado. Foi informado pelo filho sobre a verdade.

Após examinar sua técnica, Leung Jan acabou por aceitar Wah “o trocador de dinheiro” como seu discípulo, pois admirou –se dos estágios que ele atingira sem ter freqüentado aulas formais.

Wah ensinou Wing Chun durante 36 anos e teve, durante esses anos, apenas dezesseis discípulos. Quando estava com mais de 70 anos, foi gentilmente convidado a ensinar no templo ancestral da família Yip, umas das mais ricas de Fatshan, proprietária de uma enorme fazenda e de uma rua inteira da cidade.

YIP MAN

Mestre Wah costumava cobrar muito caro por suas aulas (três moedas de prata por mês), o que limitava o número dos seus alunos. Certo dia,ficou surpreso ao encontrar à sua espera o pequeno Yip Man, filho do proprietário do templo onde dava suas aulas; segurando na mãozinha três moedas de prata e pedindo para ser aceito como seu discípulo.

Preocupado com a grande soma em dinheiro que o menino de treze anos lhe trazia, temeu ter sido roubado e foi perguntar ao pai do garoto. Descobriu, então, que o peuqeno yip tinha conseguido o dinheiro quebrando o potinho onde guardava suas economias de muitos anos. Enternecido pela decisão firme do pequenino, Wah aceitou-o como estudante, mas não o levou muito a sério a princípio, pois acreditava que o filho de um grã-fino seria delicado demais para aprender uma arte viril como o Wing Chun. Mas a garra com que Yip Man se atirou aos treinos fizeram com que ele mudasse de idéia rapidamente.

Yip Man foi o mais jovem dentre os discípulos de Wah “o trocador de dinheiro”; este o ensinou desde então, vindo a falecer quando o jovem estava com dezesseis anos de idade.

Certa ocasião, um colega de escola onde de Yip Man foi estudar (colégio Santo Estefano em Hong Kong) perguntou se ele teria coragem de enfrentar um lutador já com seus cinqüenta anos, que trabalhava em uma tecelagem de seda. Yip Man que até esse dia jamais tinha perdido uma briga, estava disposto a enfrentar quem quer que fosse e aceitou a proposta.

Yip Man estava tão ávido a lutar, que não percebeu que as perguntas que Leung (o homem de cinqüenta anos) lhe fazia eram tão pertinentes a seu estilo que ninguém que não houvesse praticado teria condições de fazê-las: “Ah! Então você é discípulo do famoso mestre Chan Wah Shun de Fatshan! Puxa, mas você é tão jovem! O que aprendeu com seu mestre? Já sabe fazer o Chun Kil?” Chun Kil é o nome do segundo Tchia-dsu do Wing Chun e, excetuando-se os outros quinze discípulos do mestre Wah, quem mais poderia conhecê-lo?

Yip Man pulou em cima do homem lançando ataques ferozes que eram defendidos com facilidade e destreza. Só mais tarde é que veio a saber que esse homem era Leung Bik, o filho mais novo do grande mestre Leung Jan, o médico que ensinava Wing Chun na sua farmácia.

Dentro do sistema hieráruqico do Kung Fu chinês, isso era terrível, pois Leung Bik era Si Sok (tio) de Yip Man e pertencia a uma geração mais antiga que a sua, na mesma linhagem de mestres! E ele tinha se atrevido a enfrentá-lo! Caindo em si da asneira que fizera, Yip Man desculpou-se, envergonhado, e pediu humildemente que Leung Bik o aceitasse como discípulo.

Leug Bik era o único discípulo de Leung Jan (seu pai) que ainda estava vivo e o único que sabia o estilo Wing Chun completo (pois seu pai havia reservado o terceiro movimento do estilo – o Bil Jee – apenas para seus filhos). Para que o estilo não perecesse, decidiu aceitar Yip Man como seu discípulo, o qual, com o tempo; demonstrou qualidades de valor, grande persistência, espírito de combatividade e assiduidade exemplar nos treinos. Ensinou-o por dois anos e meio.

Ao completar 24 anos, Yip Man retornou a sua cidade natal, a China, casou-se (entre 1937 e 1941) e serviu ao exército numa tentativa de repelir a invasão japonesa. O fim da guerra não melhorou muito as coisas. Por essa época, faleceu sua primeira esposa.

Com a idade de 51 anos, Yip Man foi forçado a começar uma vida inteiramente nova. Por força das circunstâncias, viu-se forçado a transmitir seus conhecimentos de Wing Chun para poder sobreviver.

Em maio de 1970, aos 72 anos de idade, Yip Man retirou-se de suas atividades como professor. Pouco após, um check-up revelou que estava com câncer na garganta e essa moléstia o levou ao túmulo no dia 2 de dezembro de 1972.

Um dos discípulos mais famosos de Yip Man foi Bruce Lee.

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